Com que taça eu vou?

Por: Brunno Guedes

Com que taça eu vou?

Com que taça eu vou é uma brincadeira para começar a abordar um assunto muito recorrente entre os consumidores deste mundo.

Acreditem ou não, o material usado na fabricação x altura x tipo do bojo pode mudar a forma com que você aprecia seus vinhos  e para entender o porquê de haver tantas taças em formatos diferentes. Vamos fazer uma analogia: se você viaja de carro, você pode ir de Fusca ou de Ferrari. Os dois atingem seu objetivo, mas um pode te ajudar a chegar mais rápido e mudar a forma como as pessoas vão olhar pra você. Antes de mais nada, não tenho nada contra coisas antigas; aliás, adoro.

Com uma taça apropriada sua percepção irá mudar.

Uma taça com o corpo ideal pode ajudar a tirar o melhor de uma garrafa de vinho. Isso porque, após muitos estudos, os benefícios foram desenvolvidos para conduzir o vinho para os olhos, boca e nariz de maneira a realçar núcleos, aromas e sabores, influenciando no resultado da degustação. Para quem duvida, basta testar: você sentirá a diferença ao beber um mesmo vinho em taças completamente diferentes.

E a pergunta que não quer calar: é realmente necessário ter uma taça para cada vinho?

Como cada vinho possui características específicas dependendo de diversos fatores como uva, terroir e estilo com que é produzido, pode-se dizer que, sim! Há marcas que levam essa premissa a sério e não possuem seu portfólio menos de 350 modelos diferentes de taças!

Antes que você me pergunte se precisa de todas elas, a resposta é ... não! O ideal é simplificar. Ou seja, ter em sua casa taças que atendam o estilo dos vinhos  que você mais gosta de beber. O ideal seria você ter uma para espumante, branco e rosé, tinto e sobremesa.

E o material?  É importante que você saiba que cada superfície reage de forma diferente com o vinho. Há quem prefira o cristal (quanto mais “puro”, melhor), outros preferem a taça cristal com alumínio ou titânio pela sua resistência, mas sem perder a elegância.

Vamos entender sobre as taças

Para espumantes : A taça adequada é a que chamamos de flûte ou flauta, que serve para que possa ser apreciada como borbulhas ou perlage. A taça fina também direciona a efervescência e os aromas para o nariz, enquanto controla o fluxo acima da língua, mantendo o equilíbrio entre a limpeza da acidez e o saborosa fundo.

A taça do rosé  deve acentuar a acidez do vinho: Os vinhos rosés possuem taninos como os tintos, mas os aromas dos brancos. Por esse motivo, a taça costuma ser menor que a dos brancos, mas com bojo maior. Ela deve acentuar a acidez do vinho, equilibrando assim sua doçura. Se não tiver uma taça específica para rosés, pode-se usar uma para vinho branco.

Para vinhos brancos : para esse tipo de vinho a taça deve ser menor para que ele possa ser apreciado em sua temperatura ideal. As taças têm corpo menor do que as para vinho tinto por dois motivos. Primeiro, o vinho branco precisa ser consumido em temperaturas mais baixas e, portanto, em um recipiente menor, que permita menos trocas de calor com o ambiente.

Segundo, porque precisa que sejam realçadas como notas de frutas. A aba estreita entrega o fluxo do vinho através das áreas da língua com equilíbrio entre doçura e acidez, crucial para os brancos.

Para vinhos tintos : Taça bordalesa, designada para vinhos encorpados e com maior carga tânica.

Bordeaux  - As taças Bordeaux foram feitas para abrigar vinhos mais encorpados e ricos em tanino. Elas possuem o bojo grande, mas têm a borda mais fechada para evitar a dispersão de aromas. A borda da taça mais fina direciona o vinho para a ponta da língua, permitindo que a untuosidade e os sabores frutados dominem antes que os taninos sejam direcionados para a parte de trás da boca

Borgonha  - Os tintos da Borgonha são mais complexos e concentrados, quase exclusivamente com uma uva Pinot Noir. Portanto as taças são em formato balão (ou seja, com bojo maior do que as Bordalesas) para que haja mais contato com o ar, o que permite que o buquê se libere mais rapidamente. Este pool foi feito para que o vinho possa ser explorado no nariz. O formato direciona o fluxo acima da ponta e do centro da língua, diminuindo a acidez e acentuando as qualidades mais arredondadas e maduras do vinho.

Para vinhos doces e fortificados : taças para vinhos doces e fortificados são menores com bojo e mais estreitas na parte superior. Esse tipo de taça tem bojo pequeno, justamente porque as pessoas consomem vinhos doces e fortificados em quantidades menores. Também é mais estreita na parte superior. Seu design ajuda a conduzir o fluxo da bebida diretamente para a ponta da língua, região onde os sabores doces são mais percebidos.

Boa degustação e até a próxima!

 

Brunno Guedes: Sommelier Ceo da       VinoArt ©.  Formado pela Associação Brasileira de Sommeliers (ABS / RJ), possui o nível da International Sommelier Guild, uma das mais respeitadas escolas de sommeliers do mundo, além do certificado IBRAVIN - Qualidade na taça 2015. Lecionou no Senac do Rio de Janeiro, foi consultor do Empório Cadeg, é colunista especializado em vinhos e já conta com mais de 15 anos de experiência no mercado.