Você já provou um vinho libanês?

Apesar de milhares de libaneses viverem no Brasil, eu pouco sabia a respeito da história e da cultura vinícola desse pequeno país mediterrâneo que é o Líbano. Em um almoço realizado ontem, no restaurante Casa da Fazenda, no bairro do Morumbi em São Paulo, eu e alguns amigos blogueiros e jornalistas fomos apresentados aos vinhos libaneses da Vinícola Massaya, importados pela Au Vin.

Os libaneses cultivam vinhos em seu país desde os tempos dos fenícios e estes foram responsáveis por difundir o vinho e as práticas enológicas pelo mediterrâneo, através da comercialização desse produto usado como moeda de troca. Os romanos, em homenagem e reconhecimento a importância dos fenícios para a vitivinicultura, ergueram o maior templo dedicado ao deus das uvas e dos vinhos: Deus Baco, no Vale do Bekka, no Líbano.

   

O Vale do Bekaa está localizado há 30 km de Beirute – a capital – é a região que apresenta o melhor terroir para o cultivo das uvas. Com barreiras naturais tais como o Monte Líbano, as montanhas Anti-Líbano, elementos do mar e do deserto, protegem as vinhas de doenças e criam um ambiente ideal para a produção de vinhos de muita personalidade.

A Vinícola Massaya, que quer dizer “entardecer”, tem uma história bastante interessante. A propriedade Tanaïl, onde hoje está a vinícola, foi adquirida pela família Ghosn no início dos anos 70 e a princípio se especializou na produção do Arak, um destilado de uva e anis. Em 1975, a guerra civil travada no Líbano forçou a família a deixar sua propriedade e seguir para os Estados Unidos.

Dezessete anos depois, Sami Ghosn – proprietário de segunda geração da vinícola – retornou ao Líbano e revisitou o local onde tinha passado a infância. Sami decidiu reconstruir toda a propriedade que se encontrava devastada pela guerra. Reavivou a destilação de AraK e firmou o compromisso de fazer vinhos de altíssima qualidade que refletissem a personalidade de seu povo e honrasse os fenícios.

Pudemos conhecer neste almoço comandado competentemente pelo Chef Ivan Achcar, 3 exemplares de vinhos Massaya. O Massaya Classic 2009 (60% Cinsault, 20% Cabernet Sauvignon e 20% Syrah), o Massaya Silver Selection 2007 (40% Cinsault, 30% Grenache Noir, 15% Cabernet Sauvignon e 15% Mourvédre) e o Massaya Gold Reseve 2008 (50% Cabernet Sauvignon, 40% Mourvédre e 10% Syrah).

Todos os vinhos se mostraram muito bem feitos, cada um ressaltou uma ou outra característica, mas todos apresentaram grande complexidade aromática, toques de especiarias, boa estrutura, taninos elegantes e muita personalidade.

Vale a pena experimentar!

Vanessa Sobral

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